segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Reafirmações


Estamos vivendo dias em que se faz necessário reafirmarmos nossas posições. No afã de inovarmos, acabamos por esquecer de onde viemos. Na busca do novo menosprezamos o velho. Desta forma, reafirmar também representa relembrar, reorganizar, reposicionar-se aos valores do princípio de nossa caminhada.

Vale ressaltar que esse processo não significa involuir, regredir. Pelo contrário, só podemos avaliar a “qualidade” da evolução a medida que ela condiz com os valores que inicialmente nos nortearam. Exemplo: se na minha caminhada cristã a oração era um valor essencial e na minha caminhada eu fui gradativamente me distanciando dessa prática, então é necessário refazer os passos e reafirmar os primeiros valores. Caso contrário, refaça sua lista de princípios.

Assim faço meu auto-exame; relembrando de onde vim para avaliar melhor para onde estou indo. Nesse sentido, estou pontuando algumas posições pessoais que me auxiliem na caminhada como cristão e como membro de uma comunidade de Cristo.

  1. Reafirmo minha origem pentecostal, assim como reconheço meu distanciamento dessas prática. Nasci na fé em meio as reuniões de busca pelo bastimo com o Espirito Santo. Fui batizado e abençoado com o dom de falar em línguas estranhas. Acredito que os dons espirituais são tão importantes quanto o caráter cristão aprovado. Um não precisa excluir o outro. Contudo, a medida que estudamos e “amadureçemos”, passamos a considerar a experiência sobrenatural como um “conhecimento de nível inferior”. Como desculpa para evitar as “criancices espirituais”, tornamo-nos na prática “pentecostais não-praticantes”, se é que há possibilidade de existir tal condição. Reafirmar o pentecostalismo que um dia vivi significa hoje perder o medo de errar, de agir como menino, e procurar conciliar melhor a teoria e prática.
  2. Se há uma mensagem que permeia a Bíblia, ela está ligada ao arrependimento. Antes mesmo de Jesus, João Batista e os profetas anteriores já afirmavam essa necessidade (Mt 3.12 e 4.17). Todos os nossos esforços, como igreja e como cristão, deveriam estar baseados no ministério da reconciliação definido por Paulo (2Co 5). Reafirmar a mensagem do arrependimento é o princípio da missão, pois para quê evangelizaremos? E não só da missão, como também da própria espiritualidade, já que o arrependimento implica num estar em paz com Deus. Falar de arrependimento é como efeito dominó: exige uma reflexão sobre o que é pecado, graça, amor, justiça e salvação.
  3. Reafirmo a oração como meio eficaz para estreitarmos nossa relação com Deus. Não basta reconciliar-se; é preciso tornar-se íntimo de Deus. Oração é como uma permissão para que haja relacionamento verdadeiro, pois assim como preciso sempre manter a comunicação com minha esposa para que nossa relação cresça, também preciso manter o contato com Deus. E da mesma forma que não apenas falo, mas também escuto o que minha esposa tem a me dizer, também preciso entender que oração inclui o calar-se com reverência, escutando a voz de Deus.
  4. Reafirmo a necessidade de dialogar com o mundo sem abrir mão da cosmovisão bíblica. Como afirmou Stott no título de um de seus livros, devemos “ouvir o Espírito e ouvir o mundo”. Contudo, é ilusório pensarmos que, nesse embate, sempre alcançaremos posições equilibradas. Desse modo, prefiro sempre ouvir o Espírito, por mais que pareça retrogrado e politicamente incorreto. Que padrões deverão nos nortear senão os padrões definidos por Deus?

Continuarei numa próxima.

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